"A poesia é o eco da melodia do universo no coração dos humanos." (Rabindranath Tagore)


                       “A morte é passagem para a vida definitiva”.
                            (2 Coríntios, 4, 16-18 e 5, 1-10).
                                       

José Luongo da Silveira

Numa tarde fria do mês de agosto
a morte chegou sem dizer nada
e foi enleando em seus braços,
sem mais tardança,
quem tranqüilo dormia.
                          
Era logo a hora da sesta
que faz parte do costume
e que vem de muito longe,
desde que hispanos e lusos
combateram nestas terras.

Desconcertante é a face da morte…
Talvez tenha havido uma árdua luta,
o corpo baqueado transpirava em profusão
e ainda exalava um cheiro farto
que não era de todo incômodo
–  um misto de suor com alfazema.

O choro abafado da filha
debruçada por inteiro
sobre o peito inerte do pai
era  tão pungente
que molhava os nossos olhos.

Na tarde fria o pranto prosseguia,
prosseguia também o cheiro de alfazema
acompanhado apenas do balbuciar de preces
e da sensação inelutável de nosso próprio fim,
com uma melancolia em compasso de espera.

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